Durante dois dias, o evento reuniu especialistas, empresários, entidades do terceiro setor e poder público em torno de soluções para reduzir a dependência econômica da região
Nos dias 25 e 26 de junho, o 4º Fórum Regional de Diversificação Econômica de Minas Gerais (FRDE | MG) movimentou a sede do Sebrae Minas, em Belo Horizonte, com discussões estratégicas sobre turismo, economia criativa, moedas sociais, fundos soberanos e desenvolvimento local. Com mais de 280 inscritos, público originário de 08 estados e 40 cidades, o 4º FRDE | MG, mais uma vez, se reafirma como um espaço qualificado de discussões, ideias e união de forças para tratar sobre o desenvolvimento econômico e social mineiro. Realizado pela Federaminas, com parceria do Sebrae, patrocínio da Vale, Samarco, Cedro e AMISA, apoio da Invest Minas, BDMG, Governo de Minas Gerais | SEDE, SECULT, o 4º FRDE | MG evidenciou a importância da construção coletiva para impulsionar novas cadeias produtivas em regiões tradicionalmente dependentes da mineração.
Amarildo Pereira, idealizador do FRDE | MG, destacou a evolução do fórum: “O cansaço existe, mas é superado pela alegria de entregar um evento de qualidade. Mantemos parcerias antigas, celebramos as novas — como a AMISA — e já vislumbramos o próximo ano com entusiasmo. Aqui, o foco nunca foi quantidade, mas sim a qualidade das entregas. A IG é uma delas, mas também as conexões, provocações e caminhos que abrimos juntos. O Fórum é feito a muitas mãos. Quem chega, passa a fazer parte. E ver esse resultado coletivo só me deixa mais feliz a cada edição”.
Destaques da programação
A abertura oficial, na quarta-feira (25), trouxe a palestra ‘Atuação em rede para transformação regional’, com Lígia Mendes, da MasterMind Treinamentos, que enfatizou a necessidade de colaboração entre diferentes atores para gerar impacto sustentável. Em seguida, foi celebrado um marco importante para a região: a assinatura do Laudo de Delimitação Geográfica das Indicações Geográficas (IGs) da Geleia de Pimenta Biquinho de Bento Rodrigues (Mariana) e da Jabuticaba e Derivados de Cachoeira do Campo (Ouro Preto), reforçando a valorização dos produtos locais, com a presença do Governo do Estado de Minas Gerais.
O encerramento do primeiro dia teve a participação de Ismar Becker, escritor, empresário e palestrante, que trouxe, à tona em sua palestra reflexões humanizadas sobre o processo de diversificação econômica. Becker enfatizou que tanto fatores políticos e sociais quanto indicadores financeiros são tão determinantes na construção de um novo modelo de desenvolvimento.
Na quinta-feira (26), os debates se aprofundaram em temas como economia criativa, turismo de base comunitária e inovação social. Roger Vieira, especialista em economia criativa, apresentou o caso de sucesso do Queijo Minas Artesanal, patrimônio cultural imaterial da Unesco, destacando como a valorização de tradições pode impulsionar o desenvolvimento econômico. Decio Coutinho, especialista em Economia e Cidades Criativas, mostrou como a economia criativa pode ser um motor de inovação e sustentabilidade, “temos que desenhar novos mapas e mudar como vemos o mundo”.
Milena Pedrosa, ex-secretária adjunta de Cultura e Turismo de Minas Gerais, abordou o potencial transformador do turismo e da cultura nas comunidades, e comentou sobre esse movimento. “São dados que mostram, muito seriamente, quando a gente investe na economia criativa e existe esse trabalho coletivo para isso, fortalece os empreendedores locais, as próprias empresas que trabalham, seja a mineração ou outras e desenvolve social e economicamente uma comunidade. Então, é importante essa transformação e esse investimento das grandes empresas nessas ações”.
Ainda pela manhã, Anselmo Buss, do Instituto INOVATES, discutiu a gestão de impactos e o Movimento IGMG. O painel interativo sobre economia criativa e turismo comunitário, mediado por Antônio Caeiro, reuniu representantes de empresas, governo e sociedade civil em um diálogo produtivo sobre oportunidades e desafios.
No período da tarde, Joaquim Melo, especialista em desenvolvimento local, falou sobre moedas sociais e bancos comunitários, e Leandro Ferreira, do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros, apresentou o marco legal e aspectos de governança alusivos aos fundos soberanos.
O encerramento ficou por conta de Gilmar Barboza, coordenador executivo do FRDE | MG, que reforçou a importância de um ecossistema integrado para o desenvolvimento econômico regional. “O Fórum tem alcançado maior grau de maturidade a cada edição, e o compromisso dos parceiros e apoiadores do fórum é transformar temas estratégicos — como fundos soberanos, moedas sociais — em ações concretas. Assim como as Indicações Geográficas evoluíram de ideia para prática, espera-se que esses outros temas também avancem. A proposta é reforçar o alicerce do desenvolvimento local, com metodologias como o sistema de desenvolvimento, que aborda elementos estruturantes como a atuação coordenada entre instituições-chave, arcabouço legal, meios de financiamento, controle social dos poderes constituídos e estratégias referenciais para o desenvolvimento”.
O diretor técnico do Sebrae Minas, Douglas Cabido, reforça o papel da instituição nas discussões sobre desenvolvimento econômico. “O papel de órgãos como Sebrae, SECULT e SEDE é criar condições para que bons projetos floresçam e o Sebrae está sempre à disposição para apoiar iniciativas que fortaleçam a livre iniciativa e a competitividade.”
O que esperar dessas discussões?
O 4º FRDE | MG deixou claro que a diversificação econômica é um processo contínuo, que exige planejamento, investimento e, principalmente, articulação entre diferentes setores. As discussões do Fórum 2025 apontaram possíveis caminhos, ainda em fase de estudo, para o desenvolvimento regional.
Entre as propostas em análise está a criação de uma moeda social inédita, vinculada a iniciativas de fomento local e à potencial estruturação de uma rota turística emblemática, que integre economia criativa e turismo de base comunitária. Foram identificadas várias cidades com potencial para implementação de novas IGs e também se cogita a implantação de bancos comunitários que estimulem a fixação de renda e riqueza localmente. Novos fóruns municipais podem ser expandidos, a depender de articulações futuras.
Por fim, há a possibilidade de direcionar recursos de fundos soberanos para projetos locais, em parceria com agentes financeiros, desde que consolidados os mecanismos e arranjos institucionais necessários a esse alcance. As proposições, decorrentes do IV FRDE, ainda deverão passar por ponderações e estudos técnicos complementares, até que se tornem exequíveis.
Acompanhe tudo que aconteceu no evento no canal do Youtube: https://www.youtube.com/@forumregionalmg/streams.
