As Indicações Geográficas são poderosas ferramentas para a preservação e valorização de produtos singulares e marcados pela fama e notoriedade. Na abertura do 4º Fórum Regional de Diversificação Econômica de Minas Gerais (FRDE), será assinado o Laudo de Delimitação Geográfica das novas IGs mineiras — um marco para fortalecer cadeias produtivas ligadas ao território, como a Geleia de Pimenta Biquinho (Bento Rodrigues | Mariana) e a Jabuticaba e Derivados (Cachoeira do Campo | Ouro Preto). O 4º FRDE | MG acontece nos dias 25 e 26 de junho de 2025, na Sede do Sebrae Minas, em Belo Horizonte.
O FRDE é realizado pela FEDERAMINAS, em parceria com SEBRAE, patrocínio das empresas Samarco, Vale, Cedro Mineração e da Associação das Mineradoras da Serra Azul (Amisa), com apoio do Invest Minas, BDMG, Governo de Minas Gerais | SEDE, SECULT.

No dia 26, às 11h, Anselmo Buss, Diretor do Instituto INOVATES, ministra a palestra ‘Movimento IGMG e Gestão de Impactos no 4º FRDE | MG e compartilha um pouco sobre as Indicações Geográficas. “O tema IGs foi apresentado pela primeira vez na segunda edição do FRDE em Conselheiro Lafaiete e foi instantaneamente abraçado pelos participantes culminando na criação do Movimento IGMG. E, na sequência, com o apoio da Samarco na estruturação das duas primeiras IGs da Região dos Inconfidentes e na articulação para várias outras. Nesta edição do FRDE estaremos novamente expondo o tema, agora apresentando os resultados até então alcançados e as novidades deste movimento!”
Quando o produto carrega o nome do lugar, ele carrega valor
As Indicações Geográficas (IGs) são certificações conferidas a produtos tradicionais que possuem vínculo com o território de origem e pela garantia de autenticidade, qualidade e reconhecimento no mercado. São uma forma de proteção coletiva de patrimônio material e imaterial. São dividias em duas espécies: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). Elas valorizam produtos únicos e promovem o desenvolvimento local.
Com o declínio da atividade extrativa mineral, cidades como Mariana e Ouro Preto precisam encontrar novas formas de geração de riqueza. As IGs possibilitam diversificar sua base produtiva frente à valorização de saberes e sabores locais: doces, frutos nativos, fitoterápicos, artesanato, entre outros, além de auxiliar a organizar cadeias produtivas e agregar valor aos produtos.
Por que são estratégicas?
As IGs incentivam o cooperativismo, aumentam a visibilidade dos territórios e criam produtos com diferencial competitivo no mercado nacional e internacional. Elas ajudam a substituir a lógica extrativista por uma economia baseada em identidade, biodiversidade e sustentabilidade.
Além disso, promovem a permanência da população no campo, geram empregos e protegem o patrimônio imaterial. São ferramentas eficazes para territórios em transição econômica, ao transformarem identidade em valor de mercado, com impacto direto na renda e autoestima das comunidades. Este instrumento tem sido apontado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) como uma das mais eficientes estratégias de estímulo ao desenvolvimento local.
Exemplo real – dois produtos em processo de registro como Indicação Geográfica (IG)

● Geleia de Pimenta Biquinho de Bento Rodrigues (Mariana): produto que carrega tradição, saberes locais e um sabor único, fruto da dedicação da comunidade.

● Jabuticaba e Derivados de Cachoeira do Campo (Ouro Preto): símbolo de uma produção artesanal que atravessa gerações e mantém viva a identidade local.