Moedas Sociais e a diversificação econômica do Estado

Moedas Sociais são um dos assuntos abordados na 4ª edição do Fórum Regional de Diversificação Econômica de Minas Gerais (FRDE), que acontece nos dias 25 e 26 de junho de 2025, na Sede do Sebrae Minas. No FRDE 2025, as Moedas Sociais ganham espaço como alternativa para promover a inclusão financeira e o desenvolvimento comunitário.

O FRDE é realizado pela FEDERAMINAS, em parceria com SEBRAE, patrocínio das empresas Samarco, Vale, Cedro Mineração e da Associação das Mineradoras da Serra Azul (Amisa), com apoio do Invest Minas, BDMG, Governo de Minas Gerais | SEDE, SECULT.

Joaquim Melo / Acervo Pessoal

Joaquim Melo,  especialista em desenvolvimento local, bancos comunitários e moedas sociais, fará uma palestra sobre esse assunto no dia 26 de junho, às 13h30. Ele compartilhou conosco um pouco desse universo das moedas sociais. “Cada vez mais municípios buscam projetos sustentáveis que garantam o desenvolvimento econômico em logo prazo. Os bancos e as moedas comunitárias são uma alternativa perfeita para o desenvolvimento municipal, com justiça social. Vários estudos acadêmicos demonstram a eficiência desse modelo de banco. A tendência é que em um futuro breve, cada município possua seu banco e sua própria moeda, podendo se organizar em pequenos bancos regionais. Esse cenário é bastante possível, pois o mundo busca uma economia mais equilibrada, justa e descentralizada, com fluxos econômicos de circuito curto que evitam o deslocamento de pessoas, ajudando a enfrentar o aquecimento global.”

Moedas Sociais: Economia que circula no próprio território

Moedas sociais são instrumentos financeiros complementares à moeda oficial, criadas para circular em comunidades ou territórios específicos. Seu objetivo é fortalecer a economia local, mediante estímulo ao comércio local e a inclusão financeira.

Em municípios como Ouro Preto ou Itabirito, uma moeda social pode impulsionar o comércio local, gerar renda e manter os recursos financeiros em circulação localmente. Ela estimula relações de confiança, redes de troca e o fortalecimento de pequenos negócios, especialmente em regiões com altos índices de desigualdade.

Relevância para a diversificação econômica

Moedas sociais promovem a inclusão financeira e valorizam a produção local, especialmente em territórios onde grandes empreendimentos concentram renda e recursos. Elas estimulam a economia solidária e reduzem a evasão de capital, sendo uma poderosa ferramenta para fortalecer a autonomia econômica e a coesão social em contextos pós-mineração.

Exemplos reais

●   Banco Palmas (Fortaleza-CE): Pioneiro no Brasil, o banco comunitário criou a moeda Palma, que dinamizou o consumo local e inspirou dezenas de iniciativas semelhantes no país.

●  Maricá (RJ): Com apoio do poder público, o município deu origem a moeda Mumbuca, ligada a programa municipal de renda básica. A circulação em 2023 foi de mais de R$ 200 milhões, com visíveis benefícios diretos para a população e os pequenos comerciantes.

Moedas Sociais em Funcionamento (2024)

● Palma (Fortaleza/CE) – Uma das mais conhecidas, criada pelo Banco Palmas.

●      Mumbuca (Maricá/RJ) – Moeda digital vinculada ao Programa Renda Básica Cidadã.

●      Bônus de Cidadania (Niterói/RJ) – Programa de complemento de renda.

●     Sabiá (Recife/PE) – Moeda comunitária no Coque Vital. 

●      Cora (Ribeirão Preto/SP) – Projeto experimental de economia solidária.

●      Tupi (São Paulo/SP) – Moeda usada em feiras de economia solidária.

● Vila Velha (ES) – Projeto local de circulação em bairros.

●      Pirambu Digital (Fortaleza/CE) – Moeda digital circulada em comunidade periférica.

Fontes e Referências

● Instituto Banco Palmas (bancoalmas.org.br)

●      Rede Brasileira de Bancos Comunitários (bancoscomunitarios.org.br)

●      Prefeitura de Maricá (marica.rj.gov.br)

●      Estudos do Banco Central do Brasil (bcb.gov.br)


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